quinta-feira, 25 de julho de 2013

Vovo Tur ADM 45 Ianka Belé Barreto

O que avó sente por neto é difícil de descrever. Parece amor estendido no tempo, para o filho do meu filho, amém. Herança cravada na história, o neto é a continuidade do nome, fruto de uma árvore genealógica que promete perdurar. Dá sentido de perpetuidade, que invade quem se percebe cada vez mais finito e provisório, alertado pela decadência do corpo, morada cada vez mais frágil de um espírito cada vez mais livre.
Parece ser a percepção da finitude da vida que eleva o amor da avó à dimensão de eternidade. Não me venham dizer que avó curte mais o neto porque não tem a obrigação de educar. Isso é fala de filho enciumado, um modo de desmerecer o carinho que seu filho tem por sua mãe, como se dissesse que a causa do carinho pela avó fosse aquelas porcarias que ela compra para ele. Bobagem. Só deseduca quem nunca foi educador. Educador de verdade o é para sempre. E educador maduro deixa de dar importância ao que não tem importância e valoriza o que realmente faz sentido. Se o leite cai sobre a toalha da mesa, a mãe estressa, porque sabe o trabalho de lavá-la. Mas quem sabe que vai morrer também sabe que uma toalha suja é apenas uma toalha suja e que trabalho não é castigo. Quem é avó sabe o quanto errou como mãe, inevitável. Ter neto é a sua redenção. Com o neto, a avó é mãe melhorada. Educa melhor porque tem sabedoria

Nenhum comentário:

Postar um comentário